Bruxelas – Bélgica – março de 2009

26-7/10/2009


Eu cheguei na Holanda em agosto de 2007 e sempre dizia “tenho que ir pra Bélgica, é tão pertinho” e no fim das contas, até março de 2009 eu só tinha passado pela Bélgica em trânsito, uma vez em novembro de 2007 quando fui de ônibus pra Cornwall, outra vez em dezembro de 2007 quando fui de ônibus pra Paris e a última vez em maio de 2008 quando voltei de Paris pra Holanda de ônibus...

Em todas essas três vezes só vi o Atomium de longe (já adianto que não fui até o Atomium, acho bobo e não quis perder meu tempo, hehe)...


Eis que eu resolvo ir pra Portugal (histórias já contadas aqui) e vejo que voar de Bruxelas era mais barato do que voar pela Holanda... Sei que parece meio maluco, mas comprando com antecedência uma passagem de ida e volta até Bruxelas de ônibus sai menos de 20€, o vôo saindo de lá estava 60€ mais barato e pra completar eu ainda não conhecia Bruxelas.

Só pra dar uma idéia, os aeroportos menores aqui da Holanda ficam bem longe de onde eu moro e um retour de trem pra qualquer uma dessas cidades sai por pelo menos 25€... Bom, a dúvida não demorou mais de 2 minutos... Pronto, fechou o pacote...


Era fim de janeiro quando comprei tudo, minha passagem de ida pra Bruxelas era pra dois dias antes do meu vôo e a passagem de volta pra Holanda era um dia depois da minha chegada em Bruxelas, ou seja, eu precisava de um lugar pra dormir por 3 noites, 2 noites antes de ir pra Portugal e 1 noite pra depois que eu retornasse de lá...


Eis que entra em campo a busca de couch's... :-)

E eis que eu acho o Daniel... Mandei uma mensagem pra ele pedindo pra ficar lá as duas primeiras noites, disse pra ele que queria surfar o sofá dele porque ele já tinha visitado uns lugares que eu tenho muita vontade de ir e porque ele gostava de Manu Chao, haha

Ele me respondeu que tinha recebido dois pedidos de duas Rafaelas pra ficar na casa dele mais ou menos nos mesmos dias mas que ele queria que eu fosse já que eu gostava de Manu Chao! Haha... Ele também disse que se assustou ao ver minha lista de filmes e achou que eu tinha copiado de algum site dele, mas que daí ele lembrou que ele nunca publicou a lista de filmes preferidos dele e que então, provavelmente teríamos bastante o que conversar mesmo...


Nos adicionamos no msn e ficamos conversando até as vésperas da minha viagem. É legal quando você tem um certo tempo antes porque acaba conhecendo a pessoa um pouco, foi assim com o Giovanni em Amsterdam, o Arthur em Berlim , o Alejandro em Dublin e o Daniel em Bruxelas, e todas as experiências acabaram sendo muito boas...

Um dia antes da minha viagem propriamente dita, o Dani me mandou um sms dizendo que ia rolar em Bruxelas uma 'MuseumNightFever', que era um evento onde vários museus da cidade ficariam abertos até 2h da manhã, alguns com documentários relacionados à temática do museu, outros com bandas, todos com bebidas (baratas), o ingresso de 7€ também incluiria a locomoção gratuita em todo o sistema de transporte na cidade entre 19h e 2h e uma festa que começaria as 2h da manhã. Ele disse que se eu quisesse ir, ele compraria pra gente o ingresso e daí eu o pagaria quando chegasse lá. Bah, claro que eu quis... Aproveitei pra ver quais museus iríamos e não gastei dinheiro com a entrada neles durante o dia...


Cheguei lá na casa do Dani as 22h e começamos a conversar... No começo ele não falava muito e pra quebrar o gelo eu virei a matraca e contei pra ele aquela história de Montagnana... Logo ele se soltou mais, pegou o atlas e começamos a conversar sobre as nossas viagens. Como eu já comentei no post do Couchsurfing, o Dani segue carreira diplomática em Bruxelas. Ele parece não gostar muito pra ser sincera, mas ao mesmo tempo, ele dá alguns treinamentos na área de visto/segurança e isso proporciona a ele a oportunidade de viajar muito a trabalho dando treinamentos nas Embaixadas e Consulados. Fomos dormir as 2h da matina...


No dia seguinte saímos “cedo”, tomamos café e fomos andar na cidade. O Dani passou o dia todo comigo, só não foi ao Museu das Histórias em Quadrinhos... Eu entrei lá e encontrei com ele depois, daí ele me me levou no bar que está no Livro dos Recordes pela maior variedade de cervejas no mundo inteiro... Tomei uma especialidade belga, cerveja de cereja (kriek), gente, é ruim... Tem gosto de Cini de groselha e bem, eu gosto de cerveja, hehe...


Delirium Café - Bélica - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Durante a manhã, antes do Museu de Histórias em Quadrinhos, andamos pela Notre Dame, Grote Market, outras igrejas, cruzamos com um protesto de catalães reivindicando a independência da Espanha e eu confesso que fiquei impressionada com a quantidade de catalães presentes no protesto... Ah! Vi também o 'menino mijão' (Manneken Pis) e descobri num beco lá a 'menina mijona' (Yanika Pis).


Notre Dame de Bruxelas - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem



GroteMarket de Bruxelas - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem



O protesto dos catalães - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem



Manneken Pis - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem



Yanika Pis - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Ele me levou também em um outro bar, mas tinha cheiro de cigarro muito forte e eu não quis ficar lá por muito tempo...

Tin-tin, quase uma onipresença em Bruxelas - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem



Prédio que gostei - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem



Depois de tudo isso, fomos no mercado que ele queria comer camarão com alho... Compramos o camarão e fomos pra casa dele, comemos, conversamos, bebemos um vinho húngaro lá que é bem bom e saímos para o começo da 'MuseumNightFever'... Fomos nos museus que eram mais longe de casa primeiro, lá visitamos o Museu Automobilístico (Autoworld), o Museu Militar (Musée Royal de L'Armee et d'Histoire Militaire – que tinha documentários sobre paz) e um Museu de Artes e História/Etnografia (Musée Royaux d'Art et d'Historie). Acho que ficamos mais tempo dentro desse Museu Militar, tinha bandas e pegamos uma bebida e ficamos sentados la no chão...

entrada do Parc du Cinquantenaire - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Autoworld - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem



Musée Royal de L'Armee et d'Histoire Militaire - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Cava e rock dentro do Musée Royal de L'Armee et d'Histoire Militaire - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem



Tupinambás dentro do Musée Royaux d'Art et d'Historie - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem



Depois fomos voltar para o centro, pra ver o Museu da Música (tem uma quantidade absurda de instrumentos musicais lá dentro... a quantidade de pianos/cravos e órgãos é deixar qualquer um de boca aberta)... Só que o transporte tava demorando muito, muito, e no final das contas chegamos lá nos últimos minutos e só vimos um pouco. Saímos de lá no horário que a festa estaria pra começar e o Dani disse que se eu quisesse eu poderia ir e ele me deixava uma cópia da chave. Mas eu ia viajar no dia seguinte, tinha que estar no aeroporto umas 15h no máximo, mas ainda não sabia direito como chegar lá (o aeroporto low coast de Bruxelas fica bem longinho da cidade) então resolvi ir pra casa também.


No caminho de volta comemos um kebab... Chegamos em casa, conversamos, daí acabei comentando com ele que não sabia onde iria dormir na minha última noite e ele disse pra eu ficar lá mesmo, que era melhor e mais seguro do que de repente dormir no aeroporto (já fiz isso). Daí eu aceitei, tomei um banho e caí no sono...


No dia seguinte saímos da casa do Dani umas 11h e fomos pra um mercado de rua que acontece ao lado da Estação de Trem “Sul” em Bruxelas, que é de onde eu deveria sair pra iria para o aeroporto. Um mercado bem grande!! E daí comemos uma espécie de panqueca marroquina, com MUITA azeitona dentro, queijo e azeite... Podia ser com mel, mas eu não gosto de misturar. Pra acompanhar um chá marroquino (dooooooooooce)... Mas foi bem bom...


Mercado de rua perto da Estação Sul em Bruxelas - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Mercado de rua perto da Estação Sul em Bruxelas - - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem



Dali fui para o aeroporto, fiquei meus dias em Portugal e voltei pra casa do Dani no sábado a noite, conversamos sobre a minha viagem (ele estava planejando a viagem dele para Portugal nas próximas semanas), mostrei minhas fotos, e daí eu fui dormir!

No dia seguinte, cedo, sai da casa do Dani, tomei café, fui pra rodoviária e meu ônibus atrasou quase 2h!!!!!!

Enquanto estava esperando pelo ônibus um menino veio conversar comigo sobre o atraso... No meio da conversa ele me perguntou de onde eu era, eu disse que era brasileira e ele “ah! Já passei pelo Brasil na minha viagem”... eu perguntei: que viagem?... ele: nessa que estou fazendo... nunca tinha saído da Austrália na minha vida, juntei dinheiro por X anos e agora vou ficar 1 ano na estrada... Já passei por 50 e tantos países e, no final, se tudo der certo, eu chegarei nos 90! (!!!!)... Daí o cara me deu o passaporte dele e eu fui olhar, tinha carimbo de 'todos os lugares do mundo', fiquei impressionada...

Daí ele começou a contar que no Brasil só foi pra Foz, São Paulo e Rio... que a única coisa que aprendeu a falar em português foi “frango e suco de laranja” e que não tinha aproveitado muito já que não encontrou praticamente ninguém que falasse inglês pra conversar...

Perguntei porque ele não se inscrevia no couch e ele disse que não tinha saco pra ficar procurando pessoas e por isso só ficou mesmo em hostels... Mas ele não sabia das festas que rolam, dos encontros, que ele poderia ter participado do mesmo jeito...


Enfim...

Cheguei em casa com bastante atraso, cansada e fui jantar com um amigo...

Devo dizer que gostei de Bruxelas... Esperava ouvir mais holandês por lá, mas o francês parece ser dominante...


E só

Beijos!
Rafa

Holanda, Suíça, França e Portugal – 27/10/2009

À Marie (van Gelder), Sophie (van Gelder), Catarina (Dutilh Novaes), Reinoult (van Gelder), Mayara (Morokawa), Camila (Pimentel), Júlia (Benzanquen), Rodrigo e Caetano (que não sei o sobrenome, hehe)



Depois de 3 dias fazendo malas e evitando fechá-las, acordei as 5h30 da manhã do dia 27/10...

Tinha combinado com o Reinoult que nos encontraríamos no andar de baixo às 6h30 e eu queria tomar um banho e me despedir com calma do quarto...

Tudo pronto e fui pro hall... Pra minha feliz e infeliz surpresa a Marie estava lá, no topo da escada me olhando e falando baixinho 'não vai embora Rafinha... eu quero que você fique'... De todos os momentos em que eu senti vontade de chorar (contando os momentos no carro, a caminho pro aeroporto) aquele alí foi realmente o mais forte...


Ela desceu, me deu um abraço... subiu de novo... calcei minha bota... e ela começou de novo... daí eu disse que vou visitá-la um outro dia (e realmente espero fazê-lo) e enquanto esse dia não chega, ela pode olhar as nossas fotos pra matar a saudade... Ela pegou as fotos e foi pro quarto...


Chegamos no aeroporto, me despedi do Reinoult, entrei e já fui fazer o check-in pra me livrar daquela mala grande... Tinha 1kg a mais, mas a mulher do check-in estava super bem humorada e disse “ah! Essas horas, 21kg são 20kg... não precisa pagar”... :-)

Entrei na área de embarque e fui tomar café da manhã... Não comprei nada porquê não sei se conseguiria embarcar em Genebra com a sacola, então pensei “compro um presente pra Julia e para o Rodrigo no aeroporto de Genebra”...


Entrei no avião, ninguém sentou do meu lado... Assisti o primeiro capítulo de “Mad Man” (série que o Floris me passou, e bem boa diga-se de passagem), dormi... Pousei em Genebra e a Mayara já estava lá me esperando...

Saímos dali, fomos até a casa dela, conheci a família e daí saímos pra Annecy... A região é muito lindinha e Annecy é adorável...

Paramos num restaurante, um pouco caro, mas enfim, a comida era boa...

Dali saímos andar um pouquinho (bem pouquinho) e seguimos para o aeroporto...


E aí os meus problemas começaram... hehe

Chegamos no aeroporto já em cima da hora do meu check-in fechar. A mulher encrencou com a minha bagagem de mão (estava mesmo mais pesada do que deveria, mas no site dizia que desde que aguentássemos a levar, estava permitido.

Enfim, ela sugeriu que eu fizesse uma mala de mão menor, dentro de alguma bolsa e deixasse o resto com a Mayara... Eu já estava quase abrindo as malas quando me dei conta que não teria tempo pra isso e daí falei pra ela “mas estou indo para o Porto”... Como os passageiros já estavam embarcando ela disse: você está com sorte, vá! Mas se te pararem antes de entrar no avião não discuta e pague o que tiver que pagar”... Agradeci e fui correndo numa sangria desatada...

O portão mais longe dali era o D86 e o meu era o D75, ou seja, andei MUITO, correndo, um desespero...


Cheguei no portão de embarque e a mulher disse que a minha mala não passaria... Eu expliquei pra ela que tinha vindo de Amsterdam e que tinham deixado e ela disse que faria uma anotação no meu cadastro dentro da Easyjet e que na próxima eu teria que pagar... Mas enfim, o que importa é que eu não paguei...


Tinha uma menina com o mesmo problema, daí acabamos conversando bastante. Chegando no aeroporto do Porto eu perguntei como eu chegaria na Estação Campanhã e ela me ofereceu uma carona com o pai dela :-)

Fui com eles até a Estação, daí comprei minha passagem e o trem já estava lá.

Entrei no trem e cheguei em Coimbra quase 2h depois... Peguei um taxi e vim pra casa da Júlia e do Rodrigo que, por intermédio da Camila estão me abrigando e quebrando um galho MUITO grande. Conversamos um pouco, tomei um banho e fomos encontrar o marido dela (Rodrigo) e o Caetano (que mora com eles), e de cara conheci o Leo, Juliano, Cora e Debora, foi bem bacana...


E o primeiro choque 'cultural': tomei cerveja, comi camarão e batata frita e paguei 4€!!!!! haha


Voltamos não sei bem que horas e dormi até o outro dia as 9h30...


Beijos

escrevo mais a respeito de Coimbra num futuro próximo... mas para coisas cotidianas, caso existam, dê uma olhada no "Minhas Bobagens Cotidianas"


*post escrito ao som das gargalhadas do Caetano e do Rodrigo jogando FIFA, haha

Why We Travel - Pico Iyer

Bom, desculpa mas não 'tô com paciência pra traduzir esse texto... Um dia eu vou tentar (e isso não é uma promessa)...
De qualquer forma, é um dos melhores textos sobre viajantes que eu já vi, e o cara - Pico Iyer - é um super fera pelo que eu pesquisei...
Ah! O texto é bem comprido para "padrões internéticos"...

enjoy! ;-)

Why We Travel
By Pico Iyer


March 18, 2000 |

We travel, initially, to lose ourselves; and we travel, next, to find ourselves. We travel to open our hearts and eyes and learn more about the world than our newspapers will accommodate. We travel to bring what little we can, in our ignorance and knowledge, to those parts of the globe whose riches are differently dispersed. And we travel, in essence, to become young fools again -- to slow time down and get taken in, and fall in love once more. The beauty of this whole process was best described, perhaps, before people even took to frequent flying, by George Santayana in his lapidary essay, "The Philiosophy of Travel." We "need sometimes," the Harvard philosopher wrote, "to escape into open solitudes, into aimlessness, into the moral holiday of running some pure hazard, in order to sharpen the edge of life, to taste hardship, and to be compelled to work desperately for a moment at no matter what."



I like that stress on work, since never more than on the road are we shown how proportional our blessings are to the difficulty that precedes them; and I like the stress on a holiday that's "moral" since we fall into our ethical habits as easily as into our beds at night. Few of us ever forget the connection between "travel" and "travail," and I know that I travel in large part in search of hardship -- both my own, which I want to feel, and others', which I need to see. Travel in that sense guides us toward a better balance of wisdom and compassion -- of seeing the world clearly, and yet feeling it truly. For seeing without feeling can obviously be uncaring; while feeling without seeing can be blind.



Yet for me the first great joy of traveling is simply the luxury of leaving all my beliefs and certainties at home, and seeing everything I thought I knew in a different light, and from a crooked angle. In that regard, even a Kentucky Fried Chicken outlet (in Beijing) or a scratchy revival showing of "Wild Orchids" (on the Champs-Elysees) can be both novelty and revelation: In China, after all, people will pay a whole week's wages to eat with Colonel Sanders, and in Paris, Mickey Rourke is regarded as the greatest actor since Jerry Lewis.



If a Mongolian restaurant seems exotic to us in Evanston, Ill., it only follows that a McDonald's would seem equally exotic in Ulan Bator -- or, at least, equally far from everything expected. Though it's fashionable nowadays to draw a distinction between the "tourist" and the "traveler," perhaps the real distinction lies between those who leave their assumptions at home, and those who don't: Among those who don't, a tourist is just someone who complains, "Nothing here is the way it is at home," while a traveler is one who grumbles, "Everything here is the same as it is in Cairo -- or Cuzco or Kathmandu." It's all very much the same. But for the rest of us, the sovereign freedom of traveling comes from the fact that it whirls you around and turns you upside down, and stands everything you took for granted on its head. If a diploma can famously be a passport (to a journey through hard realism), a passport can be a diploma (for a crash course in cultural relativism). And the first lesson we learn on the road, whether we like it or not, is how provisional and provincial are the things we imagine to be universal. When you go to North Korea, for example, you really do feel as if you've landed on a different planet -- and the North Koreans doubtless feel that they're being visited by an extra-terrestrial, too (or else they simply assume that you, as they do, receive orders every morning from the Central Committee on what clothes to wear and what route to use when walking to work, and you, as they do, have loudspeakers in your bedroom broadcasting propaganda every morning at dawn, and you, as they do, have your radios fixed so as to receive only a single channel).



We travel, then, in part just to shake up our complacencies by seeing all the moral and political urgencies, the life-and-death dilemmas, that we seldom have to face at home. And we travel to fill in the gaps left by tomorrow's headlines: When you drive down the streets of Port-au-Prince, for example, where there is almost no paving and women relieve themselves next to mountains of trash, your notions of the Internet and a "one world order" grow usefully revised. Travel is the best way we have of rescuing the humanity of places, and saving them from abstraction and ideology.



And in the process, we also get saved from abstraction ourselves, and come to see how much we can bring to the places we visit, and how much we can become a kind of carrier pigeon -- an
anti-Federal Express, if you like -- in transporting back and forth what every culture needs. I find that I always take Michael Jordan posters to Kyoto, and bring woven ikebana baskets back to California; I invariably travel to Cuba with a suitcase piled high with bottles of Tylenol and bars of soap, and come back with one piled high with salsa tapes, and hopes, and letters to long-lost brothers.

But more significantly, we carry values and beliefs and news to the places we go, and in many parts of the world, we become walking video screens and living newspapers, the only channels that can take people out of the censored limits of their homelands. In closed or impoverished places, like Pagan or Lhasa or Havana, we are the eyes and ears of the people we meet, their only contact with the world outside and, very often, the closest, quite literally, they will ever come to Michael Jackson or Bill Clinton. Not the least of the challenges of travel, therefore, is learning how to import -- and export -- dreams with tenderness.

By now all of us have heard (too often) the old Proust line about how the real voyage of discovery
consists not in seeing new places but in seeing with new eyes. Yet one of the subtler beauties of travel is that it enables you to bring new eyes to the people you encounter. Thus even as holidays help you appreciate your own home more -- not least by seeing it through a distant admirer's eyes -- they help you bring newly appreciative -- distant -- eyes to the places you visit. You can teach them what they have to celebrate as much as you celebrate what they have to teach. This, I think, is how tourism, which so obviously destroys cultures, can also resuscitate or revive them, how it has created new "traditional" dances in Bali, and caused craftsmen in India to pay new attention to their works. If the first thing we can bring the Cubans is a real and balanced sense of what contemporary America is like, the second -- and perhaps more important -- thing we can bring them is a fresh and renewed sense of how special are the warmth and beauty of their country, for those who can compare it with other places around the globe.



Thus travel spins us round in two ways at once: It shows us the sights and values and issues that
we might ordinarily ignore; but it also, and more deeply, shows us all the parts of ourselves that
might otherwise grow rusty. For in traveling to a truly foreign place, we inevitably travel to moods and states of mind and hidden inward passages that we'd otherwise seldom have cause to visit.



On the most basic level, when I'm in Thailand, though a teetotaler who usually goes to bed at 9 p.m., I stay up till dawn in the local bars; and in Tibet, though not a real Buddhist, I spend days on end in temples, listening to the chants of sutras. I go to Iceland to visit the lunar spaces within me, and, in the uncanny quietude and emptiness of that vast and treeless world, to tap parts of myself generally obscured by chatter and routine.



We travel, then, in search of both self and anonymity -- and, of course, in finding the one we
apprehend the other. Abroad, we are wonderfully free of caste and job and standing; we are,
as Hazlitt puts it, just the "gentlemen in the parlour," and people cannot put a name or tag to us.
And precisely because we are clarified in this way, and freed of inessential labels, we have the
opportunity to come into contact with more essential parts of ourselves (which may begin to
explain why we may feel most alive when far from home).



Abroad is the place where we stay up late, follow impulse and find ourselves as wide open as when we are in love. We live without a past or future, for a moment at least, and are ourselves up for grabs and open to interpretation. We even may become mysterious -- to others, at first, and sometimes to ourselves -- and, as no less a dignitary than Oliver Cromwell once noted, "A man never goes so far as when he doesn't know where he is going."



There are, of course, great dangers to this, as to every kind of freedom, but the great promise of it is that, traveling, we are born again, and able to return at moments to a younger and a more open kind of self. Traveling is a way to reverse time, to a small extent, and make a day last a year -- or at least 45 hours -- and traveling is an easy way of surrounding ourselves, as in childhood, with what we cannot understand. Language facilitates this cracking open, for when we go to France, we often migrate to French, and the more childlike self, simple and polite, that speaking a foreign language educes. Even when I'm not speaking pidgin English in Hanoi, I'm simplified in a positive way, and concerned not with expressing myself, but simply making sense.



So travel, for many of us, is a quest for not just the unknown, but the unknowing; I, at least, travel in search of an innocent eye that can return me to a more innocent self. I tend to believe more abroad than I do at home (which, though treacherous again, can at least help me to extend my vision), and I tend to be more easily excited abroad, and even kinder. And since no one I meet can "place" me -- no one can fix me in my rsum --I can remake myself for better, as well as, of course, for worse (if travel is notoriously a cradle for false identities, it can also, at its best, be a crucible for truer ones). In this way, travel can be a kind of monasticism on the move: On the road, we often live more simply (even when staying in a luxury hotel), with no more possessions than we can carry, and surrendering ourselves to chance.



This is what Camus meant when he said that "what gives value to travel is fear" -- disruption, in other words, (or emancipation) from circumstance, and all the habits behind which we hide. And that is why many of us travel not in search of answers, but of better questions. I, like many people, tend to ask questions of the places I visit, and relish most the ones that ask the most searching questions back of me: In Paraguay, for example, where one car in every two is stolen, and two-thirds of the goods on sale are smuggled, I have to rethink my every Californian assumption. And in Thailand, where many young women give up their bodies in order to protect their families -- to become better Buddhists -- I have to question my own too-ready judgments. "The ideal travel book," Christopher Isherwood once said, "should be perhaps a little like a crime story in which you're in search of something." And it's the best kind of something, I would add, if it's one that you can never quite find.



I remember, in fact, after my first trips to Southeast Asia, more than a decade ago, how I would come back to my apartment in New York, and lie in my bed, kept up by something more than jet lag, playing back, in my memory, over and over, all that I had experienced, and paging wistfully though my photographs and reading and re-reading my diaries, as if to extract some mystery from them. Anyone witnessing this strange scene would have drawn the right conclusion: I was in love.



For if every true love affair can feel like a journey to a foreign country, where you can't quite speak the language, and you don't know where you're going, and you're pulled ever deeper into the inviting darkness, every trip to a foreign country can be a love affair, where you're left puzzling over who you are and whom you've fallen in love with. All the great travel books are love stories, by some reckoning -- from the Odyssey and the Aeneid to the Divine Comedy and the New Testament -- and all good trips are, like love, about being carried out of yourself and deposited in the midst of terror and wonder.



And what this metaphor also brings home to us is that all travel is a two-way transaction, as we too easily forget, and if warfare is one model of the meeting of nations, romance is another. For what we all too often ignore when we go abroad is that we are objects of scrutiny as much as the people we scrutinize, and we are being consumed by the cultures we consume, as much on the road as when we are at home. At the very least, we are objects of speculation (and even desire) who can seem as exotic to the people around us as they do to us.


We are the comic props in Japanese home-movies, the oddities in Maliese anecdotes and the fall-guys in Chinese jokes; we are the moving postcards or bizarre objets trouves that villagers in Peru will later tell their friends about. If travel is about the meeting of realities, it is no less about
the mating of illusions: You give me my dreamed-of vision of Tibet, and I'll give you your wished-for California. And in truth, many of us, even (or especially) the ones who are fleeing America abroad, will get taken, willy-nilly, as symbols of the American Dream.


That, in fact, is perhaps the most central and most wrenching of the questions travel proposes to us: how to respond to the dream that people tender to you? Do you encourage their notions of a Land of Milk and Honey across the horizon, even if it is the same land you've abandoned?
Or do you try to dampen their enthusiasm for a place that exists only in the mind? To quicken their dreams may, after all, be to match-make them with an illusion; yet to dash them may be to strip them of the one possession that sustains them in adversity.


That whole complex interaction -- not unlike the dilemmas we face with those we love (how do we balance truthfulness and tact?) -- is partly the reason why so many of the great travel writers, by nature, are enthusiasts: not just Pierre Loti, who famously, infamously, fell in love wherever he alighted (an archetypal sailor leaving offspring in the form of Madame Butterfly myths), but also Henry Miller, D.H. Lawrence or Graham Greene, all of whom bore out the hidden truth that we are optimists abroad as readily as pessimists as home.
None of them was by any means blind to the deficiencies of the places around them, but all, having chosen to go there, chose to find something to admire.



All, in that sense, believed in "being moved" as one of the points of taking trips, and "being transported" by private as well as public means; all saw that "ecstasy" ("ex-stasis") tells us that our highest moments come when we're not stationary, and that epiphany can follow movement as much as it precipitates it. I remember once asking the great travel writer Norman Lewis if he'd ever be interested in writing on apartheid South Africa. He looked at me astonished. "To write well about a thing," he said, "I've got to like it!"



At the same time, as all this is intrinsic to travel, from Ovid to O'Rourke, travel itself is changing as the world does, and with it, the mandate of the travel writer. It's not enough to go to the ends of the earth these days (not least because the ends of the earth are often coming to you); and where a writer like Jan Morris could, a few years ago, achieve something miraculous simply by voyaging to all the great cities of the globe, now anyone with a Visa card can do that. So where Morris, in effect, was chronicling the last days of the Empire, a younger travel writer is in a better position to chart the first days of a new Empire, post-national, global, mobile and yet as diligent as the Raj in transporting its props and its values around the world.


In the mid-19th century, the British famously sent the Bible and Shakespeare and cricket round the world; now a more international kind of Empire is sending Madonna and the Simpsons and Brad Pitt. And the way in which each culture takes in this common pool of references tells you as much about them as their indigenous products might. Madonna in an Islamic country, after all, sounds radically different from Madonna in a Confucian one, and neither begins to mean the same as Madonna on East 14th Street. When you go to a McDonald's outlet in Kyoto, you will find Teriyaki McBurgers and Bacon Potato Pies. The placemats offer maps of the great temples of the city, and the posters all around broadcast the wonders of San Francisco.
And -- most crucial of all -- the young people eating their Big Macs, with baseball caps worn backwards, and tight 501 jeans, are still utterly and inalienably Japanese in the way they move, they nod, they sip their Oolong teas -- and never to be mistaken for the patrons of a McDonald's
outlet in Rio, Morocco or Managua. These days a whole new realm of exotica arises out of the way one culture colors and appropriates the products of another.



The other factor complicating and exciting all of this is people, who are, more and more, themselves as many-tongued and mongrel as cities like Sydney or Toronto or Hong Kong. I am, in many ways, an increasingly typical specimen, if only because I was born, as the son of Indian parents, in England, moved to America at 7 and cannot really call myself an Indian, an American or an Englishman. I was, in short, a traveler at birth, for whom even a visit to the candy store was a trip through a foreign world where no one I saw quite matched my parents' inheritance, or my own. And though some of this is involuntary and tragic -- the number of refugees in the world, which came to just 2.5 million in 1970, is now at least 27.4 million -- it does involve, for some of us, the chance to be transnational in a happier sense, able to adapt anywhere, used to being outsiders everywhere and forced to fashion our own rigorous sense of home. (And if nowhere is quite home, we can be optimists everywhere.)



Besides, even those who don't move around the world find the world moving more and more around them. Walk just six blocks, in Queens or Berkeley, and you're traveling through several cultures in as many minutes; get into a cab outside the White House, and you're often in a piece of Addis Ababa.


And technology, too, compounds this (sometimes deceptive) sense of availability, so that many people feel they can travel around the world without leaving the room -- through cyberspace or CD-ROMs, videos and virtual travel. There are many challenges in this, of course, in what it says about essential notions of family and community and loyalty, and in the worry that air-conditioned, purely synthetic versions of places may replace the real thing -- not to mention the fact that the world seems increasingly in flux, a moving target quicker than our notions of it. But there is, for the traveler at least, the sense that learning about home and learning about a foreign world can be one and the same thing.



All of us feel this from the cradle, and know, in some sense, that all the significant movement we
ever take is internal. We travel when we see a movie, strike up a new friendship, get held up. Novels are often journeys as much as travel books are fictions; and though this has been true since at least as long ago as Sir John Mandeville's colorful 14th century accounts of a Far East he'd never visited, it's an even more shadowy distinction now, as genre distinctions join other borders in collapsing.



In Mary Morris's "House Arrest," a thinly disguised account of Castro's Cuba, the novelist reiterates, on the copyright page, "All dialogue is invented. Isabella, her family, the inhabitants and even la isla itself are creations of the author's imagination." On Page 172, however, we read, "La isla, of course, does exist. Don't let anyone fool you about that. It just feels as if it doesn't. But it does." No wonder the travel-writer narrator -- a fictional construct (or not)? -- confesses to devoting her travel magazine column to places that never existed. "Erewhon," after all, the undiscovered land in Samuel Butler's great travel novel, is just "nowhere" rearranged.



Travel, then, is a voyage into that famously subjective zone, the imagination, and what the traveler brings back is -- and has to be -- an ineffable compound of himself and the place, what's really there and what's only in him. Thus Bruce Chatwin's books seem to dance around the distinction between fact and fancy. V.S. Naipaul's recent book, "A Way in the World," was published as a non-fictional "series" in England and a "novel" in the United States. And when some of the stories in Paul Theroux's half-invented memoir, "My Other Life," were published in
The New Yorker, they were slyly categorized as "Fact and Fiction."



And since travel is, in a sense, about the conspiracy of perception and imagination, the two great travel writers, for me, to whom I constantly return are Emerson and Thoreau (the one who famously advised that "traveling is a fool's paradise," and the other who "traveled a good deal in Concord"). Both of them insist on the fact that reality is our creation, and that we invent the places we see as much as we do the books that we read. What we find outside ourselves has to be inside ourselves for us to find it. Or, as Sir Thomas Browne sagely put it, "We carry within us the wonders we seek without us. There is Africa and her prodigies in us."



So, if more and more of us have to carry our sense of home inside us, we also -- Emerson and Thoreau remind us -- have to carry with us our sense of destination. The most valuable Pacifics we explore will always be the vast expanses within us, and the most important Northwest Crossings the thresholds we cross in the heart. The virtue of finding a gilded pavilion in Kyoto is that it allows you to take back a more lasting, private Golden Temple to your office in Rockefeller Center.



And even as the world seems to grow more exhausted, our travels do not, and some of the finest travel books in recent years have been those that undertake a parallel journey, matching the physical steps of a pilgrimage with the metaphysical steps of a questioning (as in Peter Matthiessen's great "The Snow Leopard"), or chronicling a trip to the farthest reaches of human strangeness (as in Oliver Sack's "Island of the Color-Blind," which features a journey not just to a remote atoll in the Pacific, but to a realm where people actually see light differently).
The most distant shores, we are constantly reminded, lie within the person asleep at our side.



So travel, at heart, is just a quick way to keeping our minds mobile and awake. As Santayana, the heir to Emerson and Thoreau with whom I began, wrote, "There is wisdom in turning as often as possible from the familiar to the unfamiliar; it keeps the mind nimble; it kills prejudice, and it fosters humor." Romantic poets inaugurated an era of travel because they were the great apostles of open eyes. Buddhist monks are often vagabonds, in part because they believe in wakefulness.
And if travel is like love, it is, in the end, mostly because it's a heightened state of awareness, in which we are mindful, receptive, undimmed by familiarity and ready to be transformed. That is why the best trips, like the best love affairs, never really end.

About the writer:

Pico Iyer is a contributing editor of Salon Travel & Food. His new book is "The Global Soul." He is also the author of "Video Night in Kathmandu," "The Lady and the Monk," "Falling off the Map," "Cuba and the Night" and "Tropical Classical."




Porto – Portugal – março de 2009

16/10/2009

Essa postagem eu quero dedicar às pessoas que têm lido o blog e me mandado e-mails, comentado aqui, ou pelo msn (vou tentar colocar por ordem de recebimento): Leila de Sá Moreia, Manoel Granja, Patricia Baliski, Marina Lourenço, Mãe, Tia Zeli, Tia Cynthia, Angelita Moura, Carolina Costa, Larissa Warnawin, Cristina Oppermann, Bruna Padilha, Marcelle Carmona, Fabricio Azambuja, Tony Passone, Gisele 'Mika', Jenny Souza, Marcos Alberto Torres e Simo... Se eu esqueci de alguém, por favor me desculpe e puche minha orelha que eu edito a postagem !! :-)


Saí de Aveiro no finzinho da tarde e cheguei no Porto ainda com luz natural. Cheguei na Estação São Bento e, como a comunicação com o cara que eu ficaria hospedada estava deixando muito a desejar E eu estava com uma enxaqueca horrível, sem vontade de encontrar uma só alma pela frente e ser simpática, resolvi mandar um sms pra Carol e perguntar de novo o nome do hotel que ela tinha ficado.


Ela me escreveu pouco tempo depois e me deu o nome do hotel: Hotel Peninsular, eu já tinha saído de perto da Estação e por isso não achava o hotel (é simplesmente ao lado da estação, super bem localizado)... Achei um centro de informações turísticas mas já eram mais de 18h e estavam fechados, felizmente ao lado desse centro de informações turísticas havia uma 'delegacia do turista', bati na porta e perguntei se eles conheciam o hotel que eu estava procurando. Os policiais foram tão educados e prestativos que eu cheguei a ficar sem graça. Eles não só me mostraram onde era o hotel, como me deram vários mapas e sugestões de roteiros para a cidade e me levaram até a esquina do hotel.


Cheguei no hotel, perguntei o valor e pensei “é um hostel”... Sério, a diária em um quarto só pra mim, com cama de casal, café da manhã e banheiro partilhado (o que eu não vejo problema) custava 19€! É preço de hostel em qualquer outro lugar (inclusive lugares em Portugal). Peguei o quarto por 2 noites, subi largar minhas coisas e sai pra procurar um jantar e dar uma volta inicial... Até aquele momento não tinha visto muita coisa...


Acabei parando num McDonald's, era do lado do hotel e eu não sabia o que encontraria pela frente. Comi e saí andar em sentido à Ribeira. Quando cheguei lá, no finzinho da ladeira e às margens do Rio D'Ouro, meu queixo caiu. A cidade é muito bonita, e essa paisagem é Patrimônio da Humanidade. A ponte D. Luís, o mosteiro que tem lá em cima... Tudo, muito bonito. Andei por ali um pouco e subi para o hotel de novo. O pouco que eu vi me disse que eu deveria ver Porto 'de cima'. Daí quis descansar bem esse dia e no dia seguinte pegar o primeiro ônibus daqueles de turismo que tem piso superior descoberto (sim, eu admito que fiz isso, hahaha... e não me arrependo).


Ponte D. Luís I - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Ponte D. Luís I e o mosteiro ao fundo I - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Ponte D. Luís I e o mosteiro ao fundo II - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Bom, levantei e tomei meu café e fui pegar o ônibus. Primeiro fiz o circuito inteiro sem descer em nenhum ponto. Desci em Vila Nova de Gaia, onde estão as cavas do vinho do Porto, almocei uma francesinha (sanduíche típico do Porto), andei um pouco e peguei o ônibus de novo.


Vista de Vila Nova de Gaia - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem



Francesinha em Vila Nova de Gaia - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Zona da Ribeira - Porto - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Vila Nova de Gaia em primeiro plano e Zona da Ribeira, Porto em segundo plano - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Depois, quando começou de novo eu fui descendo. Como tinha pouco tempo, não fui a museu nenhum, querendo ou não você perde muito tempo lá e perde de ver a cidade em si... Desci no final da Avenida Boa Vista, ao lado do Forte de São Francisco Xavier do Queijo e comecei à margear o mar... Quando me deparei com a “Pérgula da Foz”, não sei bem como descrever mas é como se fosse uma passagem, com pilastres de concreto que vão brincando com a luz de acordo com a movimentação do sol. É linda! Fica na “Foz”, onde o Rio D'Ouro encontra o mar. Andei mais um bom pedaço à pé e depois peguei o ônibus de novo, pra voltar pra Vila Nova de Gaia e ver o pôr-do-sol de lá. Foi lindo!! :-)


Final da Avenida Boa Vista e ao lado do Forte de São Francisco Xavier do Queijo - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Pérgola da Foz - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Pôr-do-sol entre Vila Nova de Gaia e Porto - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Peguei o último ônibus do tour e voltei pro ponto inicial, que é na esquina do hotel que eu fiquei. Fui pro hotel, tomei um banho e saí pra comprar alguma coisa pra comer. Voltei e comi no quarto do hotel mesmo.


No dia seguinte eu sai cedinho de novo. Fui ao Mercado do Bolhão (um mercado municipal) e andar sem muito destino. Entrei na Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, que tem um painel de azulejos LINDO do lado de fora. Tava acontecendo uma missa na hora, fiquei só um pouco e saí. Andei de novo até a Ribeira, almocei em um restaurante MUITO bom, chama Farol da Boa Nova, pedi um bacalhau com natas, chopp, veio bolinho de bacalhau de entrada e tudo mais, e no final das contas a conta deu menos de 10€!!!! De frente pro D'Ouro, uma comida deliciosa...

Mercado do Bolhão - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


alguma rua no centro antigo do Porto, entre a Estação São Bento e a Ribeira - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Meu bacalhau com natas - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Última foto tirada em Portugal, Torre e Igreja dos Cléricos - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Meu vôo era no meio da tarde, voltei pro hotel, me arrumei, e fui pro aeroporto.

Cheguei em Bruxelas e fui pra casa do Dani de novo (ele tinha me hospedado por duas noites antes de eu voar pra Portugal, em Bruxelas)...


Mas Bruxelas é outra história ;-)


Beijos!
Rafa



*texto ao som de


Vai Buscar - Nação Zumbi
She's a Rainbow - The Rolling Stones
Mona (I need you Baby) - The Rolling Stones
Benditas - Zelia Duncan
Educação Sentimental - Kid Abelha
Out of Time - The Rolling Stones
How It Ends - Little Miss Sunshine
100.000 remords - Manu Chao
Sing This All Together (See What Happens) - The Rolling Stones
Time is On My Side - The Rolling Stones
Reu Confesso - Tim Maia
Start me Up - The Rolling Stones
Entry of the Gladiators - The Rolling Stones
Até Parece - Marisa Monte
Céu da Mouraria - Madredeus
Wild Honey Pie - The Beatles
Canto de Oxum - Vinicius de Moraes
Killing me Softly - Omara Portuonto
Canção pra você viver mais - Pato Fu
I Feel Fine - The Beatles
Buena Vista Social Club - Buena Vista Social Club
Futuros Amantes - Chico Buarque
A Deusa dos Orixás - Clara Nunes
Athene - Hercules & Love Affair

Aveiro e Costa Nova – Portugal – março de 2009

10/10/2009

À Anna (Halbertsma), Bruna (Padilha de Oliveira), Carolina (Costa), Ingrid (Gomes), Juliana (Kosloski), Sjoerd (Lohuis) e mais todo mundo que gosta de praia, hehe


Saí de Coimbra de manhã, não antes de passar na padaria de novo e comer pastel de nata e tomar café. Passei no correio, mandei os postais de Coimbra e fui até a estação de trem. Cheguei em Aveiro por volta das 11h30.


Andei um pouco pela cidade e fui até o centro de informações turísticas perguntar como eu poderia chegar até Costa Nova. Aproveitei pra deixar minha mochila la no escritório já que estava pesada e eu tinha o dia todo pela frente.


Aveiro - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


O atendente me explicou que era só pegar um ônibus do outro lado da rua e parar no ponto final. Sinceramente não me lembro quanto paguei pra chegar até lá, mas o retour foi menos de 5€.


Cheguei em Costa Nova e sai em busca das casinhas bicolores que eu tinha visto na internet. Eu achava que as encontraria bem a beira-mar mas não foi o que aconteceu.


Casinha bicolor 1 - Costa Nova - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Casa velha Costa Nova - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Casinhas bicolores 2 e 3 - Costa Nova - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


De qualquer maneira, as praias eram bem bonitas, e estava tudo deserto... E estava calor!! Bem mais quente do que na Holanda e na Bélgica...


Dunas - Costa Nova - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Dunas - Costa Nova - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem



Praia deserta - Costa Nova - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Já tava ficando com fome e parei num restaurante que tinha a beira-mar ali, na verdade, o único lugar que eu achei aberto lá, a cidade toda estava fechada...

Pedi uma “açorda de mariscos”, a garçonete não sabia me explicar como era mas resolvi pedir do mesmo jeito. Confesso que a aparência inicial não foi das mais convidativas, mas era bem bom o prato.

Depois eu pesquisei na internet pra ver do que exatamente é feito uma açorda e vi que depende da região, mas basicamente uma açorda consiste de um caldo temperado com alho, sal, pimenta, coentro e a esse caldo é adicionado pão amolecido em caldo de peixe (e daí a cara não muito convidativa, é cara de mão molhado, haha), lascas de peixe e daí os mariscos e frutos do mar para enfeitar. Enfim, no final das contas valeu a pena, e foi o prato mais caro que eu paguei na viagem toda.


Açorda de Mariscos - Costa Nova - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Depois do almoço eu andei mais um pouco em Costa Nova e voltei pra Aveiro onde andei mais um pouco e então segui minha viagem para o Porto.


Largo da Estação - Aveiro - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Eu achei Aveiro e Costa Nova super bonitinhas, mas se você gosta de agitação não vá pra lá, pelo menos não se não tiver nenhuma festa agendada ou coisa do tipo.

Como tudo o que eu vi em Portugal (Coimbra, Aveiro, Costa Nova e Porto) as cidades tem um preço bem acessível, a comida é boa (não é requintada, mas é boa, parece bastante com a nossa comida) e bem, é bem bom viajar na nossa língua mãe.


Beijos

Rafa


*texto ao som de

Hoje Mesmo - Nando Reis
Gerânio - Nando Reis
Mantra 9 Estúdio com Hare Krishnas) - Nando Reis
O Mundo é Bão, Sebastião - Nando Reis
Nosso Amor - Nando Reis
Cegos do Castelo - Nando Reis
A Letras A - Nando Reis
No recreio - Cassia Eller
Meu aniversário - Nando Reis
Um simples Abraço - Nando Reis

Coimbra - Portugal - março 2009

04/10/2009

À Jair (Pai), Janete (Mãe), Dani (Irmã), Tia Zeli (Pacheco), Tia Lurdes (Munhoz), Adilar (Cigolini), Daniel (Csörgö), Luís (Alberto Negraes - Peru - em memória), Marcos (Alberto Torres), Marina (Lourenço Cunha), Mayara (Morokawa),

Já que é Portugal que não me sai da cabeça, sobre Portugal escreverei...


Eu tinha bastante vontade de ir pra Portugal mas, acho que como a grande maioria, pensava em ir a Lisboa – afinal de contas conhecer a “Capital do Império” deve ser um tanto quanto interessante – e ao Porto. Mas daí, Marina se mudou pra Coimbra, estudar na Universidade lá... E depois de falar com ela e com a Catarina, minha perspectiva mudou.

Coimbra vista do Rio Mondego - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem

Eu também precisava conversar cara a cara com um amigo, pelo menos um pouco, e a Marina era a mais próxima aquele momento (sim, eu tenho amigos muito queridos aqui em Leiden/Oegstgeest/Holanda, mas com a Marina eu não tenho receios ou tenho que cuidar o que eu falo, ela sempre me entende – Marina, você me deve uma cerveja! Haha).


Marina - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Enfim, compramos minha passagem no final de janeiro. Decidi passar 3 noites em Coimbra e 2 noites no Porto. No meio do caminho eu pararia um dia em Aveiro e Costa Nova, tinha visto umas imagens e parecia bem bonito (e era).


Cheguei na estação em Coimbra, olhei um pouquinho em volta e enxerguei a Marina e o Tim de longe. Marina veio correndo e, confesso que só não chorei também porque 'alguém tinha que se controlar ali', haha =))


Dali seguimos conversando pra casa da Marina. Tim não subiu os milhares de degraus e Marina e eu subimos. Dali, paramos de falar umas 4h depois. Ah! Conheci a grega e o espanhol que dividiam apartamento com ela. A grega fez uma comida tão boa! Era ervilha cozida, com não sei o que, um pedaço grande de feta e de pão preto. Me dá água na boca só de pensar. Marina contou que ela sempre cozinhava muito bem.


Conversamos, conversamos e depois fomos dormir. No outro dia 'cedinho' fomos tomar café da manhã. Pastéis de nata e café (café de verdade! Com gosto de café), uma delícia! Devia ser um inferno morar em cima dessa padaria. Da padaria saímos andar por Coimbra... Gente, quanta ladeira nessa terra. SÓ tem ladeira, e pelo que eu li, é em Portugal inteiro (Porto também)... Mas enfim, passamos pelo Arco da Almedina (não tenho foto!... mas é na Cidade Baixa e onde começam os caminhos íngremes para a Universidade... fazia parte da muralha que cercava a cidade). Nesse caminho até a Universidade de Direito descobri que a noite em Coimbra pode ser uma Vaca Preta ou um Elefante Rosa (sim, 'tava escrito isso nos muros)...

Café da manhã delicioso! - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


A noite em Coimbra é uma Vaca Preta - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


E também um elefante rosa - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem



Chegamos na Universidade de Direito e Marina foi me mostrar tudo por lá... Andamos, andamos... Tentamos ir na biblioteca e não deu... Descemos as escadas e ela foi me mostrando os outros prédios (o de Letras inclusive, onde as aulas de Geografia acontecem)... De lá fomos andar mais um pouco e daí almoçar... Gente, comi muito bem, por menos de 5€, com sobremesa, bacalhau, arroz doce, água geladinha... uma D-E-L-Í-C-I-A!!!


Universidade de Direito - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


No dia seguinte andei sozinha a grande maioria do tempo... Encontrei Marina e o Tim pra almoçarmos (comi a “alheira”) e daí eu fui pra casa... Tava cansada demais... Depois fomos tomar sorvete, eu fui cozinhar e depois fomos ao Diligência, uma casa de fado e foi muito legal! O garçon que canta, tem dois caras acompanhando e, do nada, eles começaram a tocar Asa Branca!! Foi emocionante, Marina e eu ficamos bem abobadas...

Os capistas - Copyright@Marina Lourenço Cunha


Diligência, Casa de Fado - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Diligência, Casa de Fado - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem



O clima de Coimbra é muito bacana... Tudo gira em torno da Universidade e estou bem feliz de estar indo morar lá! :-)


Ponte Santa Clara, Coimbra - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Beijos!
Rafinha


*texto ao som de:

3ª do Plural - Engenheiros do Hawaii
Finally - Fools Garden
All my Loving - The Beatles
Socorro - Cassia Eller
Por causa de você - Chove Chuva - Mas que Nada - Jorge Ben Jor
Casablanca (As time goes by) - Ibrahim Ferrer & Omara Portuonto
Tudo pela metade - Marisa Monte
Can't Buy me Love - The Beatles
She's Leaving Home - The Beatles
Mírame - Orishas
Ritos de Passagem - Engenheiros do Hawaii


Desculpa II



Sim, mais um pedido de desculpa...
Por toda a demora e etc...

Mas enfim, para quem não sabe, eu fui aceita em dois mestrados em Portugal, um no Porto e outro em Coimbra...
Foi uma correria sem fim pra juntar documentos, provar isso, aquilo e aquilo outro, ir fazer o visto e a angústia, felizmente, durou só uma semana...
Recebi o meu visto antes mesmo de decidir qual mestrado iria fazer...
Mas agora me decidi, vou pra Coimbra!

To feliz e ao mesmo tempo com uma certa angústia de ficar tanto tempo longe dos 'meus'...
Bom, é isso...

E, pra recomeçar, vamos a mais uma viagem... ;-)

Desculpa


As histórias não acabaram, mas com a minha possível (ou não) ida a Portugal não estou conseguindo me concentrar pra escrever...

Mas farei o mais rápido possível, eu PROMETO!


Beijo beijo

Couchsurfing - O projeto que merece o prêmio nobel da paz

E eu sei que você deve estar pensando "Que exagero Rafa, Prêmio Nobel da Paz pra um carinha louco pra viajar que, um dia, sem grana inventou um network entre viajantes para se hospedar de graça?"...

Quando ouvi falar em Couchsurfing a primeira vez, eu estava organizando a minha primeira viagem para a Holanda. Pesquisava na internet uma maneira de hospedagem barata. Não tinha muito dinheiro (como sempre), precisava de um lugar por uma semana e isso era junho de 2007.

Em algum site de viagens ou blog eu achei os sites do Couchsurfing e do Hospitality Club. A filosofia dos dois é bem parecida, mas eu achei o site do Hospitality muito chato e por isso acabei optando pelo Couchsurfing (que sempre vou chamar de 'couch'). "Couchsurfing" significa "Surfando sofás".
Pra mim parecia uma idéia meio maluca ainda... Você faz um perfil, com uma auto-descrição, coloca suas preferências, informações, onde está, de onde veio, pra onde vai, pra onde quer ir, fotos e etceteras... Uma das coisas que você tem que escolher é se você está disponível para alguma coisa com relação ao seu 'couch', as opções são:

1 - Yes ("Sim", você está disponibilizando o seu sofá para algum viajante);
2 - Definitely! ("Definitivamente! / Totalmente!", você provavelmente está disponibilizando o couch para QUALQUER pessoa, sem muitas restrições);
3 - No ("Não", não disponibiliza seu couch pra ninguém);
4 - Maybe ("Talvez" disponibilize);
5 - Coffe or a drink (Se disponibiliza a ações sociais - mostrar a cidade por exemplo, ou participar dos milhares de encontros que acontecem hoje - mas não hospeda ninguém, a grande maioria dos perfis que eu já vi com pessoas que se disponibilizam a 'tomar café ou um drink' são pessoas que por algum motivo não pode hospedar em hipótese alguma... Como eu, que moro com uma família e a casa não é minha);
6 - Travelling at the moment ("Viajando no momento", esse está viajando e não pode hospedar, e provavelmente está pedindo couchs onde quer que passe)

http://www.couchsurfing.org



Quando você vai fazer uma busca para ser hospedado, pode colocar vários filtros, como idade, sexo, se tem referências, quantos níveis de verificação, foto, idioma e etc.

A primeira vez que procurei um Couch, foi pra Amsterdam, e o único filtro que eu coloquei mesmo era o da língua, já que eu não falava língua nenhuma além do português. Achei muita gente, homens e mulheres... Ainda estava um pouco ressabiada por nunca ter feito esse tipo de coisa, então escrevi inicialmente para as mulheres. Simplesmente nenhuma me respondeu... Daí estava procurando hostels, mas tudo muito fora das minhas capacidades financeiras... Resolvi escrever pra homens, mesmo um pouco ressabiada ainda. Faltava bastante tempo pra minha viagem e, o único menino que me respondeu, eu adicionei no msn com a desculpa de que, na verdade, eu só queria informações da cidade e etc...
Conversamos bastante pelo msn, até eu ver que ele parecia uma pessoa bacana e não um cara só querendo pegar mulher... Daí disse que precisava de um lugar pra ficar uns dias, se ele aceitaria me hospedar, dei as datas e etc... Ele me contou que estava mudando de casa, que talvez iria pra uma casa-barco (!!!!) e daí lá poderia me hospedar mas se não desse lá, teria que ver onde ele iria mudar e daí poderia me responder... Ele não foi pra casa-barco mas se mudou pra Leidseplein, um dos centros 'nervosos' de Amsterdam. Conversou com as pessoas que estavam dividindo apartamento com ele e eles aceitaram me receber...

Foi assim, dessa maneira, que encontrei uma das pessoas mais especiais que conheci nessas viagens. O Giovanni, italianinho marrento de Bologna, +ou- minha idade, neto de argentino (explicado o marrento né? haha) e tinha trabalhado nas prefeituras de São Paulo e do Rio com alguma coisa relacionada à computação (é a formação dele na faculdade), por isso fala português. Ficamos amigos, sempre o via quando ia a Amsterdam (e ele veio me visitar em Leiden umas vezes também), nos encontramos em Berlin, bebemos muito juntos, dividimos cama, ele me deu ombro pra chorar quando meu avô morreu, bebemos ainda mais, e agora nos falamos por e-mail e facebook, já que ele foi-se para Madrid. :) *bom que já tenho um couch em Madrid né? hahaha


Giovanni e eu no Coco's - o primeiro bar que eu fui em Amsterdam (eu acho que estou horrível nessa foto, mas ao mesmo tempo, mostra o carinho 'manco' do Giovanni, me apertando desse jeito) - Copyright@Marina Lourenço Cunha


Depois do Giovanni, o meu host foi o Arthur, em Berlim. A história foi +ou- a mesma, procurava alguém que falasse português e encontrei esse cara que era um mito do Couchsurfing em Berlim, hospedava mais de 20 pessoas ao mesmo tempo e todo mundo adorava o cara. Mandei, com bastante tempo de antecedência, uma mensagem pedindo lugar, nos adicionamos no msn, fomos conversando e fiquei 5 dias na casa dele, com mais umas 16 pessoas se não engano. Uns cinco ou seis poloneses, um australiano, uma norte-americana, mais uma brasileira, três canadenses, um português e sabe-se lá quem mais eu estou esquecendo...
Arthur é brasileiro mas eu sinceramente não me lembro de onde, já viajou TANTO que dá até vergonha de começar a falar de viagens com ele. Super alto, cara de 'muleque', super amigável, educado e divertido, conversamos muito, fomos ao show do Manu Chao juntos, eu comprei cerveja sem alcool e coloquei na freezer dele e esqueci! Estourou e ele nem ficou bravo (a cerveja era sem alcool... porque a burra que vos escreve foi pelo preço, mais barata e comprou, só não reparou no rótulo que dizia "alcohol frei" ¬¬), cozinhei pra ele na segunda vez que fiquei lá (sim, ele me hospedou as duas vezes que eu fui a Berlim)... Ele veio pra festa da rainha aqui na Holanda esse ano, mas é muita gente na rua e eu não gosto, então não fui e não o encontrei...



Arthur comendo meu macarrão - Copyright@Fabio Luciano Pacheco


Depois do Arthur, a vez foi do Alejandro, em Dublin. Já não me preocupava muito mais com o idioma e, como vocês devem perceber, com o fato de ser hospedada por homens. Coincidentemente, o Ale falava um pouco de português, ele é uruguaio, mas na verdade, ele conversava em espanhol e eu em português e nos entendíamos perfeitamente. O Ale é uma 'coisa' :)
Fala espanhol e ingles, diz que fala 'intermediariamente' italiano, alemão, sueco, russo, português e lituanio (gente, como eu escrevo isso?!), e que é um iniciante em noruguês e mongol. Mas eu acho que o italiano e o lituanio dele não são apenas intermediários... Mas sei lá, não falo...
O fato é que ele é maluco por culturas e música, conhece TUDO, mais música brasileira do que eu.. Super querido, divertido e aceita brincadeiras numa boa... Em um dos dias que eu estive lá saímos andar pelas ruas de Dublin já tarde, no dia nos namorados fomos a um restaurante 'coma o quanto conseguir por 9.99€', chinês... A namorada dele estava trabalhando e fomos jantar, o detalhe foi que, nesse restaurante NADA romântico, quando já quase não havia comida no buffet , quando Ale e eu estavamos quase estourando de tanto comer, entra um casal, a menina toda arrumada, o cara fazendo pinta de bacana, sentam pra comer e pedem uma garrafa de champagne, hahahahaha... Sério, talvez vocês não achem engraçado mas é que precisavam ver a cena toda. Ale simplesmente olhou pra minha cara e a gente não conseguia parar de dar risada...
Isso foi fevereiro de 2008...
Em maio de 2008 eu voltei pra Dublin e o Ale estava numa viagem pela India, ia ficar lá +ou- um mês, e me deixou ficar no apartamento dele! Sem ele estar lá... Legal né? :)
Viram? Eu sou uma pessoa confiável ;)


Ale e eu - Copyright@Pia Ahlberg




E depois, veio o Mark. Mark é uma graça, super educado, estudioso, curioso a respeito de outras culturas. Morava em um quarto/sala/banheiro e hospedou Marina e eu por uma noite. Fomos as primeiras hóspedes que ele teve. Foi bem legal, ele nos pegou na estação de trem, fomos andando até a casa dele, fizemos compra porque a noite eu cozinharia pra gente e daí ele saiu andar em Rotterdam com a gente. Rotterdam é super perto da cidade em que moro/moravamos, mas resolvemos pedir couch pra conhecer gente nova. Foi bem legal também. Depois disso fomos a festival de música em Den Haag e quando ele veio pra Holanda apresentar a dissertação do mestrado dele, ele veio me encontrar em Leiden (Marina já tinha ido embora)... Ele foi o primeiro host que eu tive que não falava português, mas no final do segundo dia ele já pescava bastante... Ele fala italiano, daí ajuda =)... Ah! Mark é irlandês!


Eu, Mark e Marina nas Casas Cubo em Rotterdam - Copyright@Alguém que estava lá no dia e nos fez esse favor



E depois do Mark, veio um casal muito bacana... De brasileiros! Angel e Gabriela hospedaram Fabio e eu por 2 noites em Paris, na vizinhança que eu mais gosto da cidade: Monmartre. Ela estava lá fazendo o doutorado e o Angel acompanhando. Também morando num apartamento pequeno, perdendo a privacidade de casal, esses dois abriam as portas da casa deles em Paris (e acho que ainda o fazem em Brasília) para receber - muito bem - viajantes. Chegamos lá e já fomos recebidos com comida, bebida, sorrisos e boa música. Conversamos bastante a primeira noite, Fabio e eu andamos o dia todo no dia seguinte e, na nossa segunda e última noite com eles, fomos andar no bairro, Sacre Couer e etcs... Eu estava pegando uma bela gripe e em casa Angel me fez um chá e ficamos conversando, conversando, até tarde...


Angel, Gabriela e eu andando por Monmartre - Copyright@Fabio Luciano Pacheco



E depois dessas experiências, eu voltei pro Brasil, passar 3 meses e, pela primeira vez, hospedei pessoas. Eu coloquei meu couch disponível sem avisar meus pais, confesso que mais por desencargo de consciência do que pensando que alguém iria pedir pra ficar em Pinhais. No dia seguinte recebi uma mensagem de pessoas pedindo pra ficar lá, avisei meus pais (que ficaram um pouco ressabiados, como eu já esperava, mas aceitaram). Era um casal de colombianos, Margarita e Jaime, eu disse que seriam bem vindos e combinamos que eu iria buscá-los na rodoviária no dia que chegariam.

Antes da chegada deles, Margarita me enviou um e-mail dizendo que tinham tido um problema com dinheiro, tinham deixado para ir ao banco no sábado e só descobriram na sexta, depois das 16h, que os bancos só abririam de novo na segunda-feira (vale lembrar que, até onde eu me lembre, o Brasil é um dos poucos países - se não o único - na América Latina onde os bancos não abrem aos sábados). Queriam que eu os ajudasse comprando as passagens de Floripa para Curitiba e daí eles me pagariam na segunda. Eu só vi o e-mail no sábado de manhã, no horário que eles deveriam estar pegando o ônibus, bom, não sei também se teria comprado as passagens, o perfil dos dois ainda era muito incompleto, sem muitas informações e eu não tinha certeza se eram pessoas de bem passando por dificuldades ou pessoas de má fé, tentando pegar meu dinheiro. O horário previsto pra eles chegarem na rodoviária eu estava lá, e eles também.

Por sorte, Margarita e Jaime estavam conversando com outro menino do Couch, o Aureo, que acredita muito na boa fé de todo mundo, comprou as passagens em Curitiba pra eles retirarem em Floripa. Eles ficariam dois dias da minha casa e mais dois na casa do Aureo.
Os dois tinham passado por poucas e boas na viagem. Já tinham sido assaltados, se não me engano, no Peru e na Argentina (nesse último, com revólveres), ficado sem dinheiro, uma confusão. Minha mãe escutando a conversa disse que quase chorou pensando que eu talvez tivesse passado por isso na Europa e alguém poderia não acreditar em mim e não me ajudar, e daí ela entendeu o 'espírito do couchsurfing'...
Tem muita festa, isso tem mesmo, mas o princípio do projeto, a razão principal é ajuda de viajantes entre viajantes e a comunidade local. O intuito não é pagar pouco ou nada por uma hospedagem, é abrir suas portas para uma nova cultura ou discutir a sua própria, é mostrar a sua cidade através dos seus olhos e não dos olhos da Secretaria de Turismo, isso pra mim, a divisão, aceitação e entendimento do outro dentro da sua casa, é o motivo pelo qual eu concordo com o Daniel (meu último host, um diplomata húngaro em Bruxelas) quando ele coloca no perfil dele que o Couch merece o Prêmio Nobel da Paz, porque ajuda as pessoas a serem mais tolerantes e a ouvir mais.

Andamos em Curitiba, minha mãe fez feijoada pra eles, meu pai caipirinha, conheci o Aureo e a família dele através de Margarita e Jaime, eles conheceram pão-de-queijo, bebemos cerveja no Taberna, no Alemão e conversamos MUITO...

Margarita e Jaime no Bar do Alemão - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Durante as conversas com o Aureo (que também fala 'todos os idiomas') descobrimos que estaríamos na Holanda no mesmo período, no final do ano. Passei um dia com ele em Amsterdam e uns dias depois ele veio me visitar em Leiden.
Conheceu um dos meus amigos, se deram super bem, levou uma surra no pebolim, bebemos um pouco (eu não estava bebendo alcool aqueles dias ainda)... Depois fomos à Casa do Mauricio de Nassau em Haia (Você sabe né? Que o primeiro governador do Recife foi um holandês... Hoje a casa que era dele em Haia - Den Haag em holandês ou The Hague em inglês - é um dos museus mais respeitados do mundo com relação à pinturas do século XVII... lá tem Rembrandt, Rubens, Vermeer, entre muitos outros).



Aureo na passagem dele por Leiden, novembro ou dezembro do ano passado, FRIO - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Daí comecei a planejar minha viagem pra Itália e, para minha grande surpresa, não consegui nenhum Couch para os quase 20 dias que eu passaria em solo italiano. Todo mundo estaria viajando ou recebendo amigos e família, era época de Natal e Ano Novo, portanto, bem explicado... Como não quero ficar hospedado por qualquer um'e sim por quem eu acho que tenho algo em comum e terei 'a good time with', desisti de escrever e reservei hostels.
Mesmo assim, através do couch encontrei um cara em Firenze, ele tava com a namorada que, no fim, conversei mais com ela do que com ele, hehe... Mas ele deu um passeio comigo, fomos a livraria, ele me contou umas histórias da cidade e foi legal...

Em Bologna foi MUITO massa. A Rosella, que vive perto de Bologna tem um dos perfis mais interessantes que eu já encontrei, escrevi pra ela imediatamente, mas como não obtive resposta, reservei hostel em Bologna. Ela me escreveu depois, dizendo que não tinha usado computador aqueles dias, mas que poderia sim me hospedar. Como eu já tinha reservado o hostel, disse que gostaria de encontra-la no dia 26, meu aniversário. Eu não me importava de passar o dia 25 sozinha, mas o dia 26 eu não queria. Depois de alguns desencontros, ela me esperava no estacionamento do hostel, com mais dois amigos (Zed e Rachel - ela também do CS) com um bolo de aniversário pra mim :)
No dia seguinte andamos juntas por Bologna, fui até a casa dele, fomos jantar num restaurante ótimo com mais um casal de Couchsurfers e amigos da Rosella e Zed. Infelizmente eu estava totalmente acabada de cansaço e pedi pra me levarem pro hostel meio cedo...


Zed, eu, Rosella e Rachel em Bologna - Copyright@Pedro (não sei o sobrenome dele)



No dia seguinte, encontrei Lucio. Ele foi me encontrar no hostel pra uma conversa rápida antes da minha partida pra Montagnana. Tomamos um café, ele me levou numa praça que eu não tinha ido mas PRECISAVA ir, e depois me deixou na estação de trem. Infelizmente a única foto que eu tenho dele não dá pra ver muito bem, então não vou colocá-lo.

E então, veio o Daniel. Como já disse antres, Dani é húngaro e segue a carreira diplomática em Bruxelas. Super querido e diplomático, como não poderia deixar de ser, haha. Passou o dia todo andando comigo, me escreveu uns dias antes avisando que teria um evento lá em Bruxelas na noite que eu passaria lá e que se eu me interessasse ele compraria ingresso pra nós dois. Fomos a museu, bebemos dentro de museu (o evento permitia) ele me levou num bar que tem não sei quantas mil marcas de cerveja... Ele veio pra Holanda mas não deu pra nos encontrarmos porque eu estava trabalhando...


eu e Dani na GroteMarket em Bruxelas - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem



Por fim, meus últimos hosts (até hoje, 23/08/2009), Gabrielle, Shirin e Michael em Lyon - França. Eles hospedaram Sjoerd (um amigo) e eu por 1 noite em maio desse ano. Eles eram dos Estados Unidos e estavam num intercâmbio na França. Já estavam voltando pros EUA quando receberam nossa solicitação e nos aceitaram, mesmo numa época maluca de provas e trabalhso na faculdade. Saímos pra beber cerveja e comer juntos na primeira noite e foi +ou- o que fizemos juntos devido à toda confusão que a vida deles estava naquele momento... De qualquer forma, fse disponibilizaram a nos hospedar e o tempo que passamos juntos foi muito legal... Não tenho fotos com eles, mas roubei uma do perfil do couch (espero que isso não seja um problema um dia)...

Michael, Gabrielle e Shirin



Bom, é +ou- isso que eu queria contar/mostrar do couch.
Através do Ale conheci a Pia, que também é muito querida...
Através de mim, Dani conheceu a Marina e também se deram super bem...
Caso alguém se empolgue em entrar no site, meu link pessoal é http://www.couchsurfing.org/people/rafinha/

=)


*texto ao som de
Xote das Meninas - Marisa Monte
Taxi Bamako - Amadou & Mariam
Senegal Fast Food - Amadou & Mariam
Aristiya - Amadou & Mariam
Faute au village - Amadou & Mariam
Beau Dimanche - Amadou & Mariam
La Paix - Amadou & Mariam
Djanfa - Amadou & Mariam
Politic amagni - Amadou & Mariam
Gnidjougouya - Amadou & Mariam
M'bifé blues - Amadou & Mariam
Camions Sauvages - Amadou & Mariam
Ordinary man - Fools Garden
Meanwhile - Fools Garden
Lemon Tree - Fools Garden
Pieces - Fools Garden
Take Me - Fools Garden
Autumn - Fools Garden


Berlim – Alemanha – outubro de 2007

18/08/2009

Parte II


À todo mundo que não suporta racismo e que ama Berlim


No domingo de manhã saímos (Marina, Glenda e eu) de Berlim com destino à Oranienburg. Oranienburg é uma antiga cidade nas proximidades de Berlim (leva-se cerca de 1h para chegar até lá) que foi palco de horrores durante o nazismo.

A Era Nazista durou, oficialmente, de 1933 a 1945 e, já em 1933 o primeiro Campo de Concentração foi construído na cidade. Em 1936 foi então inaugurado o Campo de Concentração de Sachsenhausen que só foi totalmente desativado em 1950.

Saímos de Berlim para visitar o Campo de Concentração de Sachsenhausen que hoje é um memorial. Lá pegamos um audio-guia e cada uma foi pra um canto.


O Memorial/Campo é nessa área triangular da fotografia - Foto de uma foto dentro do Memorial



No começo o campo servia como prisão e tortura fundamentalmente e, para lá, eram enviados homossexuais, políticos contra o regime nacionalista, judeus, ciganos e, no final, prisioneiros de guerra. Esse Campo foi criado inicialmente para ser de trabalhos forçados e não de extermínio. Mas no final, com o fim da guerra e derrota eminente, foram instaladas câmaras de gás e crematórios.

Pensar nesse Campo de Concentração ainda é pesado. Como eu disse na primeira parte sobre Berlim, eu tinha vontade de estudar história e em particular guerras, portanto, Campos de Concentração seria uma parte inevitável. Mas eu não pensava que me sentiria tão mal. O ar, o vento, tudo, tudo é pesado. Grande parte dos pavilhões foi destruída por incêndios, mas ainda há pavilhões e, lá dentro, você pode ver como eram as camas, o banheiro, o lugar onde 'comiam' e tem também exposições, várias delas. De documentos, de maquetes, esboços de meio de tortura e etcs...

Depois de atravessar o portão onde a mesma inscrição – irônica – de Auschwitz-Birkenau está presente: ARBEIT MACHT FREI (O Trabalho Liberta), eu tive um grande impacto. Entre o muro externo de Sachsenhausen e o início do campo propriamente dito, há uma faixa de transição. Vou tentar explicar melhor: tem o muro, daí um espaço vazio, daí uma cerca alta de arame farpado eletrificada e só então o campo começa de verdade. Essa faixa vazia era constantemente vigiada e, qualquer um que tentasse escapar, teria que pular a cerca de arame, passar pela faixa vazia e daí pular o muro, portanto corria um grande risco de ser alvejado. Nessa faixa de transicão, tem espalhadas umas plaquinhas pretas, com uma caveira desenhada... Exatamente a mesma caveira que tava na nuca do cara que quase me derrubou com o ombro no dia anterior, perto do Checkpoint Charlie. Quando eu vi que eram as mesmas, eu tive um frio na espinha tão grande e só conseguia pensar no que teria me acontecido se fosse noite e eu estivesse sozinha. Contei para o meu amigo depois, da caveira que eu vi na nuca do cara e a que eu vi em Sachsenhausen e ele disse “é baixinha, você cruzou com um neonazi e sorte sua que era dia”. Eu admito que pensava nunca cruzar com um tipo desses na vida, volta e meia você encontra um racista aqui e ali mas não alguém que marca a pele com orgulho daquele preconceito (e na Alemanha toda é proibido sustentar qualquer um dos símbolos do nazismo). Dei uma respirada e voltei a caminhar pelo memorial.


Entrada do Memorial de Sachsenhausen - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


"O Trabalho liberta" - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


A tal caveira - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Os pavilhões que não existem mais, hoje são representados por blocos de concreto com o número correspondente. Todos esses blocos estavam cheios de pedras em cima, pequenas pedras, como várias outras coisas no memorial. Isso é um costume judaico, colocar pedras sobre túmulos e, como eu imagino que muitas famílias não tiveram a chance de enterrar seus familiares e só sabem que determinado familiar estava ali antes de nascer, é a forma de manifestar a cultura. Outra coisa que se vê em todos os lugares no memorial são flores, desde grandes coroas até botões de rosa secos colocados sobre os vasos sanitários.

O que está escrito lá é que os banheiros eram também locais de tortura. Para começar, os banheiros só podiam ser usados pela manhã e no final do dia, depois da contagem de presos, ocasionalmente no meio do dia. Os doentes ou desabilitados fisicamente eram derrubados e ficavam no meio dos excrementos. Quando os oficiais decidiam, entravam lá e davam ordem para não se moverem. Tudo era motivo para humilhação...


Como esse campo foi um dos primeiros e se tornou o mais importante nos arredores de Berlim, os oficiais da SS eram treinados alí antes de serem mandados para os outros campos, como Auschwtz e Bergen-Belsen.
Outra coisa que acontecia aqui, como em todos os outros campos, eram os experimentos médicos. Eles faziam testes com os prisioneiros... Nesse campo em específico, se não me falha a memória, os testes se concentravam em cicatrizações e experimentos com o fígado. Depois de testados, os corpos eram jogados numa sala.


sala onde os corpos dos prisioneiros eram jogados após os experimentos médicos - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Um monumento que existe dentro do Memorial é uma Coluna, com o nome de vários países que tiveram suas nacionalidades presentes no Campo. A Coluna é onipresente, dá para vê-la de todos os lugares.


Logo após atravessar os portões de Sashsenhausen (Coluna ao fundo) - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem



Coluna dentro de Sashsenhausen - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Detalhe da escultura no pé da Coluna - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem



Nome dos países - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem



com a máquina no pé da coluna, detalhe dos mastros de bandeiras e guarita ao fundo - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


Uniformes dos presos... Estrelas de Davi... Fotos... Livros... Paredes ainda queimadas... Os mastros de madeira utilizados para pendurar pessoas e bater... Tudo, tá tudo lá...


O campo foi ocupado pelos soviéticos após o fim da guerra e, ironicamente, os alemães foram aprisionados alí. A guerra acabou em 1945 e o campo foi totalmente desativado em 1950.


Saímos de lá e voltamos pra Berlim. Tentamos ir à Nova Sinagoga, que é também um museu, mas estava fechado aquele dia. Andamos mais um pouco e eu voltei pra casa do Arthur, meu Couch. Conversei mais um pouco, arrumei minha coisas e fui para o Portão de Brandemburgo esperar o Gio.


Nova Sinagoga - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


"Tchau Berlim" - de dentro do carro, correndo... Coluna da Vitória - Copyright@Rafaela Pacheco Dalbem


A volta foi bem boa. Com um incidente: paramos num posto para tomar um café e a Samantha esqueceu a bolsa dela lá, com documentos, dinheiro, tudo! Voltamos uns 60km mais ou menos, (em meio a muito CAZZO!!! MADONNA MIA!!! e outros palavrões em italiano) mais por desencargo de cosciência do que com esperança de que a bolsa ainda estivesse lá, ou, que o dinheiro estivesse lá. Pois a bolsa ainda estava no MESMO lugar.

Chegamos tarde da noite em Amsterdam, acabei indo dormir no Gio porque era mais fácil.


"E eu sei mais uma coisa - que a Europa do futuro não poderá existir sem comemorar todos aqueles que, independentemente de sua nacionalidade, foram mortos naquele tempo com total desprezo e ódio, que foram torturados até à morte, que morreram de fome, morreram em câmaras de gás, incinerados e enforcados..."
Andrzej Szczypiorski,
prisioneiro do Campo de Concentração de Sachsenhausen, 1995


Beijos



*texto ao som de:
Good Day Sunshine - The Beatles
Tudo Está Bem - Vinicius de Moraes
O Ultimo Por do Sil - Lenine
Matchbox - The Beatles
Corpo de Lama - Chico Science & Nação Zumbi
Time Stood Still - Madonna
Lend Me Your Comb - The Beatles
Love Me Do - The Beatles
Love Song - Madonna
Sertões - Pato Fu
La Valse à Sale Temps - Manu Chao
Samba do Urubu - Pixinguinha
Bandeira Branca - Marchinha de Carnaval
Love pras Dez - Lobão
Soneto de Separação IV - Vinicius de Moraes
Janela para o Mundo - Milton Nascimento
Danado de Bom - Luiz Gonzaga
Basta um Dia - Clara Nunes
What's Love Got To Do With It - Tina Tunner
Jacaré - Seu Jorge
Menino da Central do Brasil - Seu Jorge